26.6.10

Pode ser a gota de água

Enquanto não retomo a viagem, deixo aqui a sensação da gota de água.

Hoje, sinto-me quase morta.

10.6.10

Dia 1

Vou contar-vos uma viagem que começa aqui, em Lisboa. A partida tem sempre algo de triste, mesmo que o seu propósito seja a diversão, o descanso. Viajar por prazer - raras são as coisas melhores. Mas eu odeio aeroportos. São locais confusos, hostis nos permanentes controlos, tira, mostra, guarda, despe, veste, guarda, tira, mostra... Na porta de embarque poderíamos descansar, não fosse a vista sobre os aviões e os passageiros, agora todos potenciais suspeitos de um acto tresloucado. O lugar, no meio dos amigos amados, mas o pavor ainda assim. A descolagem é afinal pacífica num tranquilo fim de tarde. 5 horas nos esperam. O pôr-do-sol enche o céu de muitos azuis e laranjas, reduzindo-os gradualmente a um único traço avermelhado sobre o azul profundo. Esquecemos quase que voamos, até que, pela janela, nos encandeia um forte clarão. É uma trovoada sob nós que nos lembra a enorme fragilidade de sermos.

Chegamos. Outra língua, outras letras. Já é manhã e quase não vimos a noite, nem o descanso. O táxi onde uma melga voa até ser esmagada pela mão da minha amiga. O aromatizador que balança em frente à janela, em figura de boazona de cheiro forte. As luvas sem dedos do taxista (mau augúrio?), as passadeiras na auto-estrada. Letras, letras, palavras sem sentido e o dia que amanhece nesta cidade do tamanho de um pequeno país. A manhã clareia e quase não vimos a noite. O calor inesperado. O hotel, a cama, enfim. O descanso que tardava.

Até logo.

Esta fina linha...

Demasiado fina.


Os outros.