Amanhã
o
meu
avô
faria
anos.
87.
23.2.11
Desabafo
Estou farta de pessoas!
Farta de discussõeszinhas a propósito de temas de trampa, farta de gente que se arma em palhaço, farta de gente que não sabe respeitar, que não sabe (não quer) ler o outro.
Quem não está bem, muda-se, diz a voz popular.
Um destes dias faço as malas, então.
Farta de discussõeszinhas a propósito de temas de trampa, farta de gente que se arma em palhaço, farta de gente que não sabe respeitar, que não sabe (não quer) ler o outro.
Quem não está bem, muda-se, diz a voz popular.
Um destes dias faço as malas, então.
20.2.11
Plano
Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos, que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.
Nuno Júdice, “Poesia Reunida”
Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos, que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.
Nuno Júdice, “Poesia Reunida”
16.2.11
14.2.11
V.
Hoje comi o meu primeiro morango do ano. vermelho como um coração.
soube-me a brisas de fim de tarde. a primavera.
levo-te um. bem escondido.
entre sorrisos.
soube-me a brisas de fim de tarde. a primavera.
levo-te um. bem escondido.
entre sorrisos.
10.2.11
Avô
um livro de recortes de revistas em cartolinas coloridas quando eu mal sabia andar.
o móvel do meu quarto. a escrivaninha.
Um dia destes tens uma mão cheia - e eu a abrir a mão tão pequenina e a pensar - cinco anos!
o meu primeiro hotel de cinco estrelas. a minha primeira conta no banco.
muitos, muitos, tantos, estes quarenta e tal natais
chocolates regina de sabores. sandes de chouriço
as ruas da cidade na palma da mão e as histórias de ser lisboeta
o meu primeiro filme no cinema. o meu primeiro voo.
Tinha 38 anos quando eu nasci.
Chorava ao colo do meu pai quando ele se ia embora
hoje fechei a sua urna
qualquer dia mato-me e mando dizer para a terra que já morri
Ouviste, Lisboa?
o móvel do meu quarto. a escrivaninha.
Um dia destes tens uma mão cheia - e eu a abrir a mão tão pequenina e a pensar - cinco anos!
o meu primeiro hotel de cinco estrelas. a minha primeira conta no banco.
muitos, muitos, tantos, estes quarenta e tal natais
chocolates regina de sabores. sandes de chouriço
as ruas da cidade na palma da mão e as histórias de ser lisboeta
o meu primeiro filme no cinema. o meu primeiro voo.
Tinha 38 anos quando eu nasci.
Chorava ao colo do meu pai quando ele se ia embora
hoje fechei a sua urna
qualquer dia mato-me e mando dizer para a terra que já morri
Ouviste, Lisboa?
Subscrever:
Comentários (Atom)


