Sempre fui muito consciente dos cheiros que me rodeiam. Lembro-me do cheiro da minha mãe a amêndoas doces quando encostava, de propósito, o nariz aos seus braços. A terra onde vivi durante três anos, no coração do Alentejo, tinha um cheiro diferente de Lisboa, um cheiro a terra, a trigo e a uvas. Lembro-me da casa dos meus vizinhos de infância e o forte odor a tabaco. Lembro-me do cheiro do cachimbo de um antigo namorado. Tenho memórias olfactivas de locais, de pessoas. Um medicamento para uma forte constipação roubou-me este sentido, que tenho vindo a recuperar, e embora ainda não a 100% já consigo viver novamente os odores do quotidiano.
Ontem comprei uma colónia para pôr depois do banho. Sem alcool, porque feita para crianças, pude espalhá-la por todo o corpo. Um conforto enorme invadiu-me. Este cheiro abraçou-me e aconchegou-me. Hoje de manhã não resisti e pu-la de novo. Caramba, cheiro mesmo bem.
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