Quando entro num avião, olho os outros passageiros e tento ler o meu destino. Quando me sento, sufoco - o espaço é pequeno, o avião uma caixa fechada de aço subitamente sem portas e janelas que nunca abrem. Atenta à menor estranheza no ruído dos motores, as conversas dos amigos passam ao lado e as palavras na revista de bordo confundem-se. Olho os outros e tento ler o meu destino. Dizem o que fazer em caso de urgência - uns dormem já e outros calmos, sem sobressaltos, conversam. Mas há aqueles que, como eu, vigiam. Pessoas de todas idades, vidas de todos os géneros juntam-se nesta caixa. Algumas para quem esta viagem é um começo cheio de expectativas, outras para quem é um regresso indesejado, talvez. Para outras ainda, uma rotina. Rodamos com rapidez na pista e separamo-nos do chão que nos protege num pequeno impulso. Olho-os de novo e tento ler o meu (nosso) destino para esta viagem, enquanto as janelas se enchem apenas de azul e branco, azul, azul, branco. Pelo menos isso, que a noite torna o medo mais pesado.Azul, branco, azul. E o sinal de desapertar o cinto que tranquiliza.
Alguém terá olhado os outros passageiros neste momento e visto o destino no fim do mar?
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