29.10.09

Winter

Aqui está ele.

28.10.09

Celebrações

Hoje enquanto batalhava com o Halloween, pensei na relação de distância que tenho com (quase todas) as celebrações. Senão, vejamos:
- o Halloween tem o seu quê de lúgubre
- o Natal enerva-me - a pressão das compras que se sente no ar é insuportável (enfeites de Natal em Outubro, poupem-me...)
- o Dia de Ano Novo confirma a inexorável passagem do tempo
- a Páscoa tem alguma profundidade - o sacrifício e a salvação (gosto mais)

E ainda, S. Valentim. O não-dia. Não fosse uma querida data de aniversário, Fevereiro seria mesmo o não-mês. Delete.



Num S.Valentim, eu e a minha irmã escrevemos mensagens de amor a todos os amigos que não tinham namorados(as). E demos um jantar feito de romance(s).

Esse... foi lindo.

20.10.09

Hoje...

... apeteceu-me ir lanchar à Confeitaria Nacional, sentar-me na cadeira sem chegar com os pés ao chão, comer uma sandes de fiambre em pão de forma e deixar a côdea no prato. Ah, e beber um quarto de Vigor (gordo) morno.




As responsabilidades andam a chatear-me, é isso.

viagem III

Em viagem vejo o executivo jovem, com olhos sós e três telemóveis sobre a mesa do comboio. Vejo o rapaz a beijar com carinho a namorada que parte e logo a sentar-se junto a outra mulher. Vejo a chuva. Vejo as letras do folheto que bailam e me enjoam neste alfa apressado com cheiro a estofos sujos. Vejo a paisagem triste de casas velhas e um restaurante miratejo de onde não se vê o rio. Vejo uma mãe, vestida como prostituta barata, sempre desconfiada. Vejo as núvens -umas baixas e outras altas mais brancas a anunciar o bom tempo. Vejo quem me telefona. Respondo. Vejo o café que me servem, antecipo o sabor. Vejo a minha manga do casaco que recupera da chuvada e retoma a cor normal. Vejo este teclado onde conto o que vejo. Acho que já ninguém me vê. Transparente.

18.10.09

E subitamente...

...este peso daquilo que nem aqui sei dizer, onde poucos me conhecem e poderia desvendar o coração.

...este peso sobre o peito, feito de todas as doenças, desencontros, palavras-punhais e reflexos indesejados que se reúnem e se alimentam.

Uma palavra. Montanha.

E perco o fôlego.

Bolero pela rua

Hoje chegava a casa e pareceu-me ouvir um acordeão... Som inesperado num domingo de manhã. De facto, um homem com sotaque estrangeiro tocava boleros pelo largo, sorrindo para as janelas e a quem passava. Um acordeão de teclas sujas num homem de roupas pobres.

Não tinha dinheiro comigo. Foi pena.

Obrigada pelo Besa me mucho.

Soube bem.

14.10.09

Praia da Cruz Quebrada

Hoje de manhã na Cruz Quebrada o rio-quase-mar era de prata e as ondas breves tinham a indolência de uma praia tropical. Neste Outono feito pino do Verão, quase vi grupos de banhistas junto à margem. O meu pai, com 8 anos, a jogar à bola.

Outro bosque

Hoje li um texto sobre o Júlio de Matos. Entrei lá a primeira vez há menos de dois anos. Se já tinha entrado antes - e acho que sim - não retive qualquer lembrança. Foi com surpresa que conheci este hospital de pequenos pavilhões rodeados de relvados e árvores de grandes copas. Foi no Outono, esta visita; o amarelo e o ocre das folhas dominavam. Aqui e ali figuras sem destino caminhavam lentamente entre enfermeiras e médicos apressados.

Lembro-me de sentir paz e de me apetecer ficar ali. Num hospital. Ali onde, por diferentes razões, há vidas que perderam rumos. Medo de ver esse outro lado tão perto, lembrar que pode ser tão delicada esta passagem. Um momento. Um clique.

- O que me distingue de ti?

- Ainda poder ir para casa, talvez.



Sempre o soube.

"Há um bosque encantado no meio da cidade" (Ana de Amsterdam)

8.10.09

Mercy

Esperei por estas asas que esperaram por mim.

Viajei, assim, por outros espaços onde é subitamente noite. Numa sala grande e quase vazia, a música de uma pequena banda ecoa e um par dança ao som do saxofone de circo.

A paz estranha de quem não tem os pés no chão.

O perdão em notas dissonantes.