28.3.11

na raiva desta insónia com que espero a manhã... leio

ROTINA

Ao abrir a janela do quarto para outras
janelas de outros quartos, ao veres a rua que desemboca
noutras ruas, e as pessoas que se cruzam, no início da
manhã, sem pensarem com quem se cruzam
em cada início de manhã, talvez te apeteça
voltar para dentro, onde ninguém te espera. Mas
o dia nasceu - um outro dia, e a contagem do tempo
começou a partir do momento em que
abriste a janela, e em que todas as janelas
da rua se abriram, como a tua. Então, resta-te
saber com quem te irás cruzar, esta manhã: se
o rosto que vais fixar, por uns instantes, retribuirá
o teu gesto; ou se alguém, no primeiro café que
tomares, te devolverá a mesma inquietação
que saboreias, enquanto esperas que o líquido
arrefeça.


Nuno Júdice

26.3.11

E na manhã que torna tudo mais claro.... amar parece ser...

dar-me
ser sempre verdadeira
apoiar sempre
contrariar quando é importante
dar o melhor que se é capaz, o que nem sempre pode ser o máximo melhor.



E compreender isso. Sempre.
horasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdas. absurdas. merda de vida.talvez eu simplesmente (já) não saiba ser.

24.3.11

Que parvo, este filhote


...e conto-lhe sobre as minhas (talvez demasiadas?) horas absurdas.

Mãe

Hoje deitei-me na cama ao lado da minha mãe para uma pausa. Falámos do cansaço que nos preenche e de sapatos. Da escuridão da doença e de cinema. Falámos. Falou... Fechei os olhos... Calei para sentir que a tua voz tem o sol, o vento e a chuva. Todas as direcções confluem em ti, mãe. Fecho os olhos e oiço esta voz como na primeira canção de embalar. Volto subitamente a essa origem que me segreda serenidade. Abro os olhos e rio. Não há momentos iguais, em que posso estar assim, sem nenhuma defesa, só a sentir.


Esta voz que é (a) minha.

23.3.11

E de repente... tantas mortes.

Dizem que é porque chega a Primavera.

4.3.11

... ficas a saber...

... que compreendo a voz por detrás dos silêncios.
... que sei a dificuldade do caminho.
... que do meu cansaço farei uma cama-ninho.
... que fecho os olhos e respiro as noites.

que...
... vejo as tuas mãos, as minhas
... vejo a verdade
... vejo o sonho-realidade
... vejo-te-me




no dia que nasce sem nada que o (des)espere.
Vou-me mascarar de gajo-que-vai-passear-no-fim-de-semana e que se tá marimbando para o Carnaval. Deixo aqui o meu manifesto anual contra o desvirtuar do carnaval português, as porras das escolas de Samba - Percebam de uma vez por todas, por favor, que estamos ainda no Inverno, chove, faz frio, no Rio é Verão, tá um calor que não se pode, lá não chove, só há incendios, aqui tá frio tá frio tá frio não têm a mesma quantidade de mulatas por metro quadrado que o Brasil tem, não temos orçamento, não temos jeito, as miudas são todas branquinhas e e tímidas, deixem o samba para quem sabe porra meter brancos a dançar é uma asneira brutal, elas nascem já a saber rebolar - e os desfiles totós. Fazemos sempre figura de tansos. Não é por nada que o melhor que temos são os caretos de Podence. Isso sim, figuras que aterrorizam a população, que andam a tirar o sono a todos, que metem medo às crianças, que têm brincadeiras parvas, isso sim, ah o terror.

perdidopelacidade.blogspot.com

viagem

viajo dentro desta bolha de oxigénio

onde a minha vida faz outro sentido










onde os medos são bem-vindos