Comprei um livro sobre um avô que falou das coisas mais belas do mundo até ao dia da sua morte. Comprei este livro porque me lembrei do meu próprio avô. Agora já não tenho quem me conte da Lisboa de antigamente, dessa Lisboa com mais vagar, cheia de bairros, bailes e peripécias. Já não tenho quem me conte...
(Sabe, avô, lembro-me muito bem de estar ao colo do meu pai a chorar enquanto o comboio partia. Era um choro definitivo, como se não houvesse regresso).
11.3.12
4.3.12
Entre dois pólos
For thirty years people have been asking me how I reconcile X with Y! The truthful answer is that I don't. Everything about me is a contradiction and so is everything about everybody else. We are made out of oppositions; we live between two poles. There is a philistine and an aesthete in all of us, and a murderer and a saint. You don't reconcile the poles. You just recognize them.
Orson Welles
Orson Welles
25.2.12
17.2.12
13.2.12
Valentino III
Pergunto-te amas-me?
Respondes amo-te e adoro-te.
Digo sabes que entre ser a mulher e a amante prefiro a amante. rio.
Pedes dá-me o teu corpo que me leva ao céu.
O teu corpo o único.
Sim.
Respondes amo-te e adoro-te.
Digo sabes que entre ser a mulher e a amante prefiro a amante. rio.
Pedes dá-me o teu corpo que me leva ao céu.
O teu corpo o único.
Sim.
Valentino II
Escuto
e sinto a rumba de mãos dadas.
Avanço a mão sobre o pescoço, o ondular vagaroso.
Tão perto.
Tão perto.
Olhos semi-cerrados que respiram música e dois corpos que se deixam ir... Tão perto.
Valentino I
Por mais que não eu queira,
este dia que aí vem há-de trazer-me sempre uma palavra,
uma leitura, um gesto
que me abala.
este dia que aí vem há-de trazer-me sempre uma palavra,
uma leitura, um gesto
que me abala.
12.2.12
resilientes
Admira-me as pessoas que, apesar de estar aparentemente tudo contra elas, persistem num objectivo que tinham delineado. E não estou a falar de quem sofre de uma doença, essas, que as conheço de perto, admiro-as profundamente.
Será que devo continuar a ajustar velas?
Será que devo continuar a ajustar velas?
Explicação (?)
Quando me perguntam "o que tens?", apetece-me, estranhamente, o silêncio.
Não sei se sei explicar - é como se tivesse mergulhado numa piscina e ficado lá, já não consigo respirar e, contudo, não sei como chegar à superfície, ou por outra, vejo em cima a luz refletida num ondular breve, mas acho que a meio das braçadas me vai faltar o ar, ou por outra, chegar à superfície até não é difícil, mas a água é pouco densa - talvez me afunde outra vez.
Ou penso-respondo com outra pergunta: "Quando se diz bati no fundo, o que significa? Que já estamos a emergir?" E penso-silencio ainda outra: "Será que é ainda possível (re)fazer algo?"
Não sei se sei explicar - é como se tivesse mergulhado numa piscina e ficado lá, já não consigo respirar e, contudo, não sei como chegar à superfície, ou por outra, vejo em cima a luz refletida num ondular breve, mas acho que a meio das braçadas me vai faltar o ar, ou por outra, chegar à superfície até não é difícil, mas a água é pouco densa - talvez me afunde outra vez.
Ou penso-respondo com outra pergunta: "Quando se diz bati no fundo, o que significa? Que já estamos a emergir?" E penso-silencio ainda outra: "Será que é ainda possível (re)fazer algo?"
3.2.12
Absurdo?
Esta noite sonhei que tinha feito uma tatutagem. Era uma tatuagem de palavras que me percorria os braços, o peito e terminava perto de uma orelha. Olhava desesperada para aquelas palavras a preto que não me lembrava de ter feito e sentia medo de não poder esconder. No pescoço eram (quase) sempre visíveis - tão pouco adequado à minha profissão. No dedo anelar, uma rosa pequena, muito vermelha, impressa para sempre. Não sei o que diziam as palavras; não as consegui ler. O que seria?
18.1.12
[...] As canções e os poemas ignoram tanto acerca do amor. Como se explica, por exemplo, que não falem dos serões a ver televisão no sofá? Não há explicação. O amor também é estar no sofá, tapados pela mesma manta, a ver séries más ou filmes maus. Talvez chova lá fora, talvez faça frio, não importa. O sofá é quentinho e fica mesmo à frente de um aparelho onde passam as séries e os filmes mais parvos que já se fizeram. [...]
José Luís Peixoto
13.1.12
Os Lisboetas cansam-me. Têm uma cidade altamente para passear, cheia de colinas para descer ao sol e insistem em tentar implantar cá modas de capitais menores, planas, sem interesse. Bicicletas londrinas, flashmobs nova-iorquinos, triciclos barcelonenses, sapatos parisienses. Tudo coisas que nunca vão dar jeito para exibir a subir o Chiado, felizmente. Andem a pé que faz bem, porra.
Roubado a "Perdido pela Cidade"
http://perdidopelacidade.blogspot.com/
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