29.1.10

Incompreendidas, muitas vezes, há crianças que conseguem surpreender.

25.1.10

Lá estarei

Fecho os meus olhos, agora que a noite já se foi. O crime cometido e aceite, sonho com um barco, curiosamente um barco, que me leva para longe de uma cidade que não reconheço.

Fecho os meus olhos.

A noite já se foi. É dia.

17.1.10

uma tarde na ópera

O S. Carlos desperta-me sempre o imaginário feito de vestidos de seda e saias armadas, pequenos binóculos e comentários por detrás dos leques. Do meu lugar podia ver a plateia e os outros camarotes, observar que estava e quem entrava, tal como as senhoras de antigamente. Nessa época seria velha, parideira de muitos filhos já adultos, quem sabe.

As luzes apagam-se. A opereta de Bernstein traz-nos as frustações das aparências em casais de relações apodrecidas. Sempre actual. Prendeu-me o cenário, depurado e criativo, distante das madames e dos vestidos de seda.

Quando nascer outra vez talvez seja cenógrafa. Ou cantora de ópera.

Como explicar isto?

Perguntaste-me já várias vezes porque nunca me tinha casado. De alguma forma, aos teus olhos de adolescente, isso parece-te impossível. Sinto-me lisonjeada. Vês-me capaz de ser mulher e mãe, caminhos que nunca percorri. Se pudesses compreender, dir-te-ia que nunca consegui ser a esposa, mas a amante, nunca a certeza mas o risco, (quase) nunca a família mas a marginal, nunca a rotina mas a paixão. Não te poderia explicar melhor o que nem a mim, muitas das vezes, me faz sentido.

15.1.10

Ele há coisas...

...que dão prazer ver, embora quando se colocam grandes expectativas, há sempre lugar a (alguma) desilusão.

12.1.10

And she fights...

Pause

E a vida, que me apetecia que parasse um pouco, continua.
Sonhei novamente contigo como há três dias para cá. O coração apertado na madrugada desperta. Oiço o teu respirar, enquanto vagueias em sonhos num mundo que não conheço, do outro lado de ti. Lá fora, a chuva e o vento fustigam a noite e a manhã chega a medo. Dói-me o corpo de ontem. Dói-me o corpo todo ainda. Dói-me a alma também.

"Olá, stôra!" solta-se um riso entre a chuva que ensopa. Um riso solar, empurrado pelo vento gelado.

"Olá! Então, a noite foi boa?"

10.1.10

Hu

Chega a 14 de Fevereiro e traz boas notícias. Três felinos que se cruzam e onde coragem é a palavra chave.




Coragem. Vamos a ela.

8.1.10

A minha alma, de vez em quando...

Todos temos por onde sermos desprezíveis. Cada um de nós traz consigo um crime feito ou o crime que a alma lhe pede para fazer.

Fernando Pessoa

em dois dias

os beirut da j.
(e a l. sabe tocar acordeão)
a caneta futura do passado
no escuro do cinema e em coro
a fascizóide minha casinha que os xutos trouxeram dos anos 40 (as coisas que tu sabes!)
o alegre maldisposto que sabe que o mar na costa da mauritânia tem (às vezes) a mesma cor que o tejo




há pouco estranhos

agora


quase



amigos






rir nesta viagem a bordo de um fugotam

6.1.10

Soube-me bem ouvir...

Pedes-me um tempo,
para balanço de vida.
Mas eu sou de letras,
não me sei dividir.
Para mim um balanço
é mesmo balançar,
balançar até dar balanço
e sair..

Pedes-me um sonho,
para fazer de chão.
Mas eu desses não tenho,
só dos de voar.

Agarras a minha mão
com a tua mão
e prendes-me a dizer
que me estás a salvar.
De quê?
De viver o perigo.
De quê?
De rasgar o peito.
Com o quê?
De morrer,
mas de que paixão?
De quê?
Se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde
e não ter
nem sentir
o vento ardente
a soprar o coração...

Pedes o mundo
dentro das mãos fechadas
e o que cabe é pouco
mas é tudo o que tens.
Esqueces que às vezes,
quando falha o chão,
o salto é sem rede
e tens de abrir as mãos.

Pedes-me um sonho
para juntar os pedaços
mas nem tudo o que parte
se volta a colar.

E agarras a minha mão
com a tua mão e prendes-me
e dizes-me para te salvar.
De quê?
De viver o perigo.
De quê?
De rasgar o peito.
Com o quê?
De morrer,
mas de que paixão?
De quê?
Se o que mata mais é não ver
o que a noite esconde
e não ter
nem sentir
o vento ardente
a soprar o coração.

Mafalda Veiga

2.1.10

Passava-lhes

- Empresto-o uma semana, um mês, não precisam de mais - disse-me ela sobre o seu marido que todas invejam. Admiro esta mulher; acho que sabe viver bem.
O marido, um homem alto e bonito, com ar ternurento que muitas mulheres romanceiam, sempre foi cobiçado. Ela sempre se debateu com situações incríveis, muitas constrangedoras, por culpa de mulheres sem cautela ou decoro, cativadas por abordagens encantadoras e, supostamente, interessadas.
- Pois, pois, continua ela ao telefone, querem-no porque não o têm. Gostava de as ver partilhar manias, amuos, alheamentos. Um mês e passava-lhes logo o encanto.

Acredito. Do príncipe ao sapo.

O ano pode ser mesmo novo?

A chegada do novo ano traz a obrigação de tomar decisões, fazer resoluções, etc e tal. Canso-me só de pensar nisso. Faço votos, mando mensagens e enquanto animo os outros definho um pouco - serei eu capaz de mudar?