28.10.10

Por isso

Há uma praia depois da sombra
uma clareira para iluminar
Há um abrigo no meio das ondas
tudo é caminho para iluminar





Por isso... vem.

26.10.10

Afinal

Hoje, com as palavras do poeta, veio o calor em que me apeteceste.

24.10.10

Corpo

O meu corpo não me responde. Parece morto para o sentir. Fujo de ti com medo de não me conseguir dar.

Fujo. Sofro. Não me sinto. Não te digo.

20.10.10

Sabes?

Embora nem sempre (te) possa parecer, oiço-te com todo o meu ser. Recebo-te na minha casa de cal e de corpo com o prazer secreto e sereno da desejada cumplicidade.

Oiço-te, vejo-te... Mas há momentos em que nas minhas palavras podes sentir o gume que me atravessa. O gume da insegurança, da tristeza, de não poder. Este frio que vem de dentro.

Do I belong here?

A minha profissão sempre foi onde eu podia dar o meu melhor. Investi muito - muito mais do que talvez devesse - da minha energia nos dias de trabalho que se estenderam quase sempre ao fim-de-semana. Gostava do que fazia, dos colegas com quem partilhava desânimos e alegrias.

Regressei a este espaço de onde me ausentei por dois anos. Muitas caras desconhecidas e alguma falta de simpatia não marcam face aos abraços familiares, às boas-vindas, à confiança. Tenho a certeza que este regresso me salvou em parte, uma vez que me afastou de tarefas que me devoravam por dentro. Tenho mais tempo livre, faço aquilo a que dediquei (quase) toda a vida adulta.

Mas... (porque haverá sempre um mas?)

este cansaço que persiste

este estranho sentimento de já não pertencer aqui...

19.10.10



a pequena ponte que nos mantém a salvo (será?)... da transparência das águas.

8.10.10

Ao fadista e aos músicos

Casa

Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão...

Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que me sai, sem voz, do coração.


David Mourão-Ferreira

Espectáculo maior

Ontem achava que ia levar a minha mãe a ver o concerto do Camané no CCB. Agora acho que foi ela que me levou - obrigada, mãe. O espectáculo foi simplesmente magnífico. José Manuel Neto na guitarra portuguesa em todo o seu esplendor, Carlos Proença na viola e Carlos Bica no contrabaixo (sentia-se o atmosfera do jazz). Ri e chorei com as letras de grandes poetas e melodias ora pesadas e fatais, ora alegres e "picadinhas".




E este concerto começou assim...