26.2.09
The A word
Conheço quem não goste da palavra "Adeus". Compreendo. Pode ser sentida como um "nunca mais", como um "para sempre sem ti". Pode ser a morte. Acho que tem um significado, qualquer coisa de teor religioso, de "para Deus"," dedica-se a Deus", não sei bem... Eu já disse algumas vezes esse adeus definitivo. Sim... Disse-o, por mais estranho que pareça, para me proteger. Como um rasgão violento a partir do qual nada mais nos resta senão avançar, arriscar de novo. Já o disse de forma impetuosa, na angústia de um momento doloroso. Já o disse no culminar de pequenos adeus sussurados, pensados, sentidos. Já o disse num dia em que não soube quebrar os silêncios com as palavras de amor que me sufocavam.
25.2.09
A última dança
Em que rodopio deixei de ser vontade para ter que pensada como uma prioridade? Danço em passos lentos, nesta madrugada que nunca mais se faz dia.
Dança VI
Tanto que havia de dizer sobre a dança, hoje que um amigo escreveu sobre o que para mim há muito era evidente.
E lembrei-me deste filme também.
E lembrei-me deste filme também.
Dança V
Este meu gosto pela dança é genético, já se viu.
Mas eles também me influenciaram. Bebia-os, colada à televisão, quando ainda mal andava.
Mas eles também me influenciaram. Bebia-os, colada à televisão, quando ainda mal andava.
Dança IV
Já me apaixonei por um par. Apaixonei-me perdidamente num rápido-rápido-lento.
Já se apaixonaram por mim a dançar um tango face a face.
Já se apaixonaram por mim a dançar um tango face a face.
Dança III
Quando eu tinha uns 14,15 anos a minha avó ensinou-me a ser conduzida. Dizia-me que fazia parte da formação de uma senhora.
Não sei se serei uma senhora na acepção da minha avó, mas os meus pares sempre me elogiaram a "leveza". Resultou, vó.
Não sei se serei uma senhora na acepção da minha avó, mas os meus pares sempre me elogiaram a "leveza". Resultou, vó.
Dança II
A minha avó contava-me que quando a minha mãe dançava toda a gente ficava parada a olhar. Gostava de ter visto a minha mãe no vestido com saia de tule, que usa naquela fotografia, a rodopiar pelas salas. Ela tinha um par favorito, que não era o meu pai (o meu pai não gosta de dançar). Dançavam horas e horas, até de madrugada. Ele nunca a deixava e vibrava de prazer naquelas noites quentes de Lisboa.
Dança I
Ele pega na minha mão e subimos para o estrado. As horas de prática, cheias de erros e repetições, vão agora ser agora postas à prova. Ali. Entre os peritos. A música começa e o corpo vibra, antecipando o movimento. Ao compasso certo, os braços erguem-se no ar, num gesto de sensualidade e de convite. As pernas avançam e os olhos cravam-se num desafio de conquista e desprezo nesta dança, que é também teatro. Os pares agitam-se, imitando-se nos gestos de uma coreografia bem marcada.Rodeia-me, abraça-me, rodeio-o, abraço-o. Todos os corpos de rodeiam e se abraçam, numa loucura de festa e calor. Dançamos outra e mais outra. Os passos e sapateados marcam com cada vez mais certeza o ritmo no pequeno palco onde ficamos em destaque. No final, um beijo porque o corpo pede. Naquele momento podemos sair de nós e sermos os amantes daquele cantar que dançamos.
23.2.09
Carnaval III
Há uns Carnavais atrás, durante uns quatro anos seguidos, juntámos um grupo de amigos para festejar este dia. Todos nos mascarávamos. No primeiro ano lembro-me que havia um mosqueteiro, uma bruxa, uns hippies, um "Máscara" de cara verde, uma corsária no feminino (eu), um árabe. No segundo ano, outras máscaras surgiram e eu vesti-me à anos 20. Adorei!! No ano seguinte fomos mais "venezianos" - vestimo-nos todos de preto e comprámos uma caraças pretas e prateadas, lembram-se, amigos? Não nos deixavam entrar em lado nenhum sem mostrarmos as caras...No ano seguinte repetimos o mesmo género - caras e cabelos dourados sob um fundo negro. Lindos. E eu dava ideias, comparava adereços... Vingava a minha infância.
Carnaval II
A minha avó era especialista em vestidos de noiva. Por isso, em casa dela, atrás de um pesado reposteiro de flores, havia saiotes de tule e de pano branco, dos quais eu fazia vestidos de fadas e princesas quando me apetecia. Subia e descia as escadas, rodopiava... rodopiava até ficar tonta e o "vestido", de tanta roda que tinha, ficava quase na horizontal. Punha colares e brincos - havia um de cristal que brilhava tanto!.... Criava mundos de fantasia, embaladas pelas histórias que a minha avó me contava. Era o meu Carnaval. Secreto. Solitário. Sonhador.
Carnaval I
"Não quero, vó..." murmurei baixinho, com uma voz chorosa. Nunca me mascarei a sério em criança por causa disso. Os meus avós levavam-me sempre a grandes concursos de Carnaval no antigo cinema Monumental, onde dezenas de crianças desfilavam com todo o tipo de máscaras, das mais simples às mais requintadas. Lembro-me de uma Cleópatra, toda em dourado, com uns cabelos muito negros. Era linda! E ganhou, claro.
A minha avó, modista de profissão criticava as espanholas. Tinham uns folhos muito caídos, que não "armavam"... Um dia disse-me que me faria um vestido de espanhola como deve de ser. Abri os olhos e imaginei-me em vermelho e preto, de saltos, com cauda enfolharada e baton... "Mas quando disserem o teu nome, entras no palco, dás uma volta e dizes olé com garra!" Definhei. Embora sempre tivesse gostado de cantar e dançar frente ao espelho, a ideia do público aterrorizou-me. Não era capaz. Não quis.
A minha avó, modista de profissão criticava as espanholas. Tinham uns folhos muito caídos, que não "armavam"... Um dia disse-me que me faria um vestido de espanhola como deve de ser. Abri os olhos e imaginei-me em vermelho e preto, de saltos, com cauda enfolharada e baton... "Mas quando disserem o teu nome, entras no palco, dás uma volta e dizes olé com garra!" Definhei. Embora sempre tivesse gostado de cantar e dançar frente ao espelho, a ideia do público aterrorizou-me. Não era capaz. Não quis.
18.2.09
17.2.09
16.2.09
Espreito II
Subitamente o teatro que está para lá daquela porta também faz parte de mim. Sinto o nervoso e a ânsia de uma branca. Sinto a vontade de fugir e o desejo de começar. Olho o público."Merda". Espreito pela frincha da porta e vejo os actores que se preparam. Inspiro... Fecho os olhos. Vai correr tudo bem, vais ver.
Espreito
Ela foi espreitar. Encostou a cara ao vidro opaco. Num lado. Depois noutro. Encolheu os ombros, "Não vejo nada!" "Não!", gritámos, "Tens que espreitar pela frincha da porta."Rimo-nos da situação. Há pessoas com quem o riso desponta de um tudo e de um nada. Com quem podemos espreitar e ver o lado bom e o lado mau da vida. Sem medos.
10.2.09
É um castelo. Sinto o gelo das lajes do chão, oiço o eco dos meus passos. Devagar, encosto o meu ouvido à parede e oiço a "volta" dançada por Isabel I e o seu amante, oiço o choro de Inês que antecipa a morte, oiço a armadura de Afonso, oiço os "King's Men" no Mercador de Veneza. É um castelo e sei que há dois reis que se vão enfrentar. Atrás de um reposteiro, observo a preparação para uma batalha e inspiro a coragem deste rei que olha pela janela o nascer do dia que mais teme. De repente, é a mim que vestem para o confronto. É a mim que enrolam o corpo em faixas para me vestir uma armadura que afinal não tenho quando me encontro face a face ao meu adversário. Não vejo a sua face, escondida num elmo. Que frio é este, tão estranho? Subitamente percebo. É o frio do aço que me atravessa. Acordo.
9.2.09
(Sor)rio
O tempo está insuportável. Dias a fio de cinzentos começam a pesar e alimentam o desânimo de um quotidiano que nos "mastiga". De repente na linha do horizonte surge o sol sobre o rio Tejo que, num instante, se faz azul, um pouco mais escuro que a nesga de céu que se abre. A foz parece sorrir com as suas cristas de espuma. Acho que sussura, "A tua vida é boa...". Pois é. E sorrio com o rio.
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