23.2.09

Carnaval I

"Não quero, vó..." murmurei baixinho, com uma voz chorosa. Nunca me mascarei a sério em criança por causa disso. Os meus avós levavam-me sempre a grandes concursos de Carnaval no antigo cinema Monumental, onde dezenas de crianças desfilavam com todo o tipo de máscaras, das mais simples às mais requintadas. Lembro-me de uma Cleópatra, toda em dourado, com uns cabelos muito negros. Era linda! E ganhou, claro.
A minha avó, modista de profissão criticava as espanholas. Tinham uns folhos muito caídos, que não "armavam"... Um dia disse-me que me faria um vestido de espanhola como deve de ser. Abri os olhos e imaginei-me em vermelho e preto, de saltos, com cauda enfolharada e baton... "Mas quando disserem o teu nome, entras no palco, dás uma volta e dizes olé com garra!" Definhei. Embora sempre tivesse gostado de cantar e dançar frente ao espelho, a ideia do público aterrorizou-me. Não era capaz. Não quis.

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