30.4.09

peguei num CD esquecido e hoje...

... esta canção no meu carro que voa e a manhã que crescia sobre o Tejo.



All At Sea - Jamie Cullum

the travelling Arwen

Ontem, a Arwen esteve no Globe Theatre. Bloody hell!

26.4.09

Mais um poeta de Abril... hoje sobre o amor desejado

(...)
E quanto mais te perco mais te encontro
morrendo e renascendo e sempre pronto
para em ti me encontrar e me perder



Manuel Alegre

25.4.09

Sophia em Abril

Com fúria e raiva acuso o demagogo
E o seu capitalismo das palavras

Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada

De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse

Com fúria e raiva acuso o demagogo
Que se promove à sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra


Sophia de Mello Breyner Andresen

Hoje estou a exorcizar I

Não gosto quando as pessoas, ao comentar blogs e podendo optar pelo nome verdadeiro ou um nick, ainda escolhem ser anónimas. Já fiz isso e não gostei de mim.

24.4.09

Mortalidade

É duro confrontarmo-nos com a doença. Ou mesmo com a possibilidade de ela lá estar. Hoje fiz um exame de rotina que qualquer mulher odeia. Ao contrário das outras vezes (ainda não muitas, felizmente) em que estava completamente descontraída, hoje senti terror a crescer dentro de mim. Talvez fragilizada pelo cansaço da forte constipação e pelo desgaste do trabalho, as lágrimas teimavam em querer saltar enquanto esperava a minha vez . Em frente, um namorado/marido acariciava a mão dela - aflita com qualquer resultado - reforçando a minha solidão e o meu medo (e outros medos).

Se hoje a médica me tivesse dito Tem aqui algo que deve ser analisado eu responderia, Ah, pois. Era de esperar. O corpo deu de si.

Não disse.

Aqui fica a promessa de ir tratar melhor de ti.

23.4.09

Soube-me bem...

... no mar, nas areias

e em Lisboa.




A vida (ainda) pode ser suave.

E hoje...

E hoje contou-me de tristezas. Falou pouco, mas os olhos-apenas-de-homem, de repente, rasos de lágrimas.

Se eu soubesse o que dizer...

38.7

A vida.

Ontem e hoje, quase insuportável.

Corpo moído e alma desgastada.




Preciso da superfície para respirar!

21.4.09

Ausências

De repente a ditadura do tempo instalou-se e tornei-me escrava da minha ausência.

Num sono inquieto, a vida mostrou-me em sonhos o que temo. No que mesmo dia em que sonhei que morria, alguém me matava.

E eu... ausente. Mas apenas de corpo. Tranquila.

Agora, esta ausência tem sido desassossego.

18.4.09

Segunda vida II

- E esse diálogo foi onde?

E sorriu para mim com olhos de homem-menino.

17.4.09

Segunda vida I

- Hello, hotstuff. Wanna fuck?
- Not interested, sorry.
- How do you fuck on this game?



O seu-meu primeiro diálogo. Melhores dias virão para Arwen, de corpo e alma fechados.

My lord Aragorn.

16.4.09

Sleep deprived

Hoje percorri todo o dia como se de um sonho se tratasse. Sonâmbula. E foi hoje que iniciei uma segunda vida. De cabelos longos e olhos verdes, visto-me da cor favorita dela, a minha outra-primeira-vida.

Hello. I'm Arwen.

Não durmo

E mais daqui a pouco, como é que vou acordar?

15.4.09

When a lot is too much

Sempre admirei a persistência de algumas pessoas face às relações. Mesmo nas piores circunstâncias insistiam e, na maioria das vezes, saíam vitoriosas. Às vezes venciam pelo cansaço, mas venciam. Nisso fui sempre uma desistente. Ao primeiro atropelo, oops, adeus.

14.4.09

Evolução

Hoje alguém me disse que isto de eu não conseguir /não me apetecer trabalhar revela uma grande evolução da minha parte.

Também quero

Pois bem, mudei a rotina.
Prometia-me há já uns anos, e falhava.
Até que os dedos pediram, e assim foi:
Estou a ter aulas de piano.
Tinha esse sonho, eis-me a fazer por ele.
Há qualquer coisa no som deste instrumento que vai directamente a sítios que não sabemos apontar.
Não é coisa simples, para os dedos e para o cérebro.
Estou ainda na fase de aprender a ler música, e enquanto experimento tocar uma ou outra coisa percebo que traduzir para o cérebro que as duas mãos devem fazer coisas diferentes é um dos primeiros e mais difíceis passos.
Mas assim é melhor, se fosse fácil cansava mais.
Já começo a perceber umas coisas, por força do professor extraordinário que me está a acompanhar.
Deve ser penoso para quem toca tão bem como ele ver duas mãos de cimento em cima das teclas dele.
Especialmente porque teve anos a aprender com a Maria João Pires.
Deve estar orgulhoso do salto que a carreira dele deu.
Orgulhosíssimo.
Estou contente comigo.
Terça feira às onze horas lá terei nova aula.
Até lá tenho trabalhos de casa para fazer.

Agora só falta um pianinho aqui em casa.
Porque praticar na mesa é estranho.
E não tem definitivamente o mesmo som.


Bruno Nogueira, http://corpodormente.blogspot.com/

E pronto cá está.... a vontade de fugir!

Falta a Manuela Azevedo a dar um toque especial, mas pronto.


Babylon - Zeca Baleiro

Sem sentido

Às vezes achamos que a vida não nos faz justiça e encontramo-nos, sem saber muito bem como, por caminhos e sentimentos que nunca quisemos para nós. Não é que desejemos algo grandioso; só sentimos que não estamos a viver o que (talvez) merecemos.

Cá está... vontade de fugir


Babylon - Zeca Baleiro

13.4.09

Hospital, segunda-feira de manhã

...de tanto bater, o meu coração parou.

12.4.09

Avô I

Quando eu nasci, o meu avô tinha 40 anos. Comecei a falar muito cedo e ele, encantado com esta neta-quase-filha, fez-me um livro de cartolina com imagens e palavras recortadas de revistas. Ainda me lembro de algumas - um pacote de Omo, um ferro de engomar, meninos a brincar, uma televisão. Comecei cedo a falar, mas tarde a andar (por isso hoje falo muito mas tropeço ainda mais) e assim que pude caminhar levava-me e dar grandes passeios por Lisboa. - Olha que a menina não pode andar tanto!, desesperava-se a minha avó. Mas todos os domingos lá iamos dar um passeio, viamos tudo, eu perguntava sobre tudo e ele respondia. Mais que o meu pai, ele era o meu herói.

Hoje, o meu avô estava muito triste...

Lembra-se de como me explicou que o bacalhau não era um peixe espalmado?

Forever Sting

Ai, que vício!
Descobri, ainda por cima, que estas canções fazem parte da banda sonora de um filme que adorei.


Angel Eyes - Sting

10.4.09

Heal that sucker

Às vezes, por diferentes razões, deixamos de saber exactamente quem somos. Perdem-se pontos de referência e agimos de forma descontrolada, disparando em todas as direcções na procura de razão. Isso acontece-me sobretudo quando me sinto ferida. Estou a aprender (espero que não demasiado tarde) a calar e reflectir antes de, ou mesmo em vez de, pegar nessa arma. Mas não desisto de procurar a causa da ferida.

Not all wounds are superficial. Most wounds run deeper than you can imagine. You can't see them with the naked eye. And then there are the wounds that take us by surprise. The trick with any kind of wound or disease is to dig down and find the real source of the pain - and once you've found it, try like hell to heal that sucker.

Grey's Anatomy

Páscoa II

Não resisti.

Páscoa

Gosto da Páscoa. É uma época de sofrimento e penitência que sempre me interessou. Jesus que duvida perante o seu martírio, Judas que trai, se arrepende e suicida, Pedro que nega Jesus, Pilatos que condena um homem sem o querer. Os estudos feitos sobre esta época revelam um contexto sócio-político complexo e conflitos que estão na base de lutas religiosas que ainda hoje nos rodeiam.

A propósito da morte de Jesus foram compostas e pintadas obras geniais, de uma força e violência terríveis. Das melhores de sempre.





Sem ser das mais conhecidas ou impressionantes, gosto desta pintura de Goya.

9.4.09

Lately I've been learning not to trust people.
I'm glad I failed.



In "my blueberry nights"

Porque é Abril

Assisti no CCB. Lembrei-me de colocar aqui esta homenagem em três pianos.

Poema antigo

Há muitos anos li este poema, que hoje lembrei a propósito de....

Viajo no teu corpo. Só teu corpo?
Mas quão breve seria essa viagem
Se no limite dela a alma nua
Não me desse do corpo a certa imagem.


José Saramago

Café

Vou dar a Nespresso armada ao fino e pedir à minha velha cafeteira que volte para preencher a cozinha com o maravilhoso, inegualável e insubstituível aroma do café. Preciso dele para me aquecer as manhãs.

E sou

E sou o dia, sol, riso, conversas, danças, mãos dadas, beijos furtivos, viagens de perto ou longe.

E sou a noite, silêncio, melancolia, música que embala, azul vestido, amor feito devagar.


Gosto de ser dia e de ser noite.

Incapaz

Pela primeira vez, a vida pessoal está a incapacitar-me para a vida profissional. É uma sensação estranha e chega a ser desorientadora.

Sempre pensei que quando isto acontecesse fosse pela intensidade de uma relação, por um desvario bom.

Mas afinal...

Não consigo trabalhar!!

Azul

Vou dizer nunca foi amor. desculpa.
Vais dizer não há mais espaço para o desamor, o (des)olhar, o lamento.
Vou dizer tempo. desculpa.
Vais dizer não existe afinal a luz que parecias ter em ti.
Vou dizer gostava de ser outro. desculpa.
Vais dizer podia ser grande. podia ser maior.
Vou dizer desculpa o sofrimento. desculpa a mentira.


E a tua boca vai calar-se porque te cansaste das palavras.
E eu digo dias. noites. corpo. e o mais que fica por viver.

Foi

Entregaste-me uma pequena pasta tamanho A5. Lembras-te? Daquelas onde se guardam desenhos e se atam com fitas pretas... Adivinhei o que continha. Eram folhas e folhas, pequenos textos, poemas... tu, boca, sombra, acolhe-me... palavras de desejo, palavras de amor. De repente, mentias, mentia, mentíamos. Inventávamos trabalho, reuniões inexistentes, não cumpriamos horários, obrigações. Davas-me a mão na rua e eu desprendia-me para te proteger. Tu não tinhas medo. Arriscavas. Arriscaste tudo. E mais palavras. Beijos. Camas revoltas. Livros. Música. As fotografias. Flores deixadas por toda a parte. Beijos atrás de portas, atrás de jornais abertos, nas esquinas de museus.

Culpa. Nos teus olhos verde-mar cresceram florestas sombrias. Amo-te, disseste-me. Espera por mim. Culpa. Culpa. Sempre esta eterna culpa.

8.4.09

Eu acredito muito na linguagem do corpo. A orientação que damos ao tronco e às pernas quando nos sentamos, a intensidade com que tocamos no(s) outro(s), diz mais que palavras ditas ou escritas. O beijo é outra manifestação de afecto que não deixa margem para enganos. Não é preciso que sejam muitos... mas é importante que... Seja em amante ou amigo é fácil "vermos" através deles.

Hoje recebi o pior beijo de que tenho lembrança. Porque não fugi logo dali?

7.4.09

Ai, o que eu gostava

de ter feito isto

Ainda a cantar

A música e as canções suscitam-nos sentimentos diversos. Umas ouvimos e fechamos os olhos a absorver tudo, outras cantamos de forma apaixonada (mais o meu género, mas saiba-se que odeio karaoke).

Sempre vivi entre pessoas que gostam de cantar. E adoro cantar. Em pequena, a caminho da praia ou em qualquer outra viagem mais longa, cantava à maluca com os meus pais. Em criança só adormecia com canções e o o meu avô gravou em bobinas as minhas melhores interpretações (fantástica uma canção francesa cantada do princípio ao fim sem eu saber uma palavra de francês :) )Aprendi Inglês a transcrever letras e a cantar.

Mais velha, e já num canto mais sério, conheci e interpretei muitos compositores e algumas obras em línguas estranhas. Lembro-me de umas peças de Bela Bartok que nunca soube exactamente o que queriam dizer, mas que eram melodicamente de uma extrema beleza. Mesmo sem saber o que significavam, dava-lhes os meus sentidos.

É preciso perceber uma canção para sentir a sua beleza? Acho que não. Talvez, nesse caso, o sentido que lhe damos a torne mais significativa e especial.

Será então de clicar no que eu descobri?

Fevereiro

Passeou de manga curta enquanto soprava um vento gelado.
Quando deu pelo frio, caiu na cama doente e delirou durante dias.
Então, ainda não era Verão?

Num bar... em Lisboa


My One And Only Love - Sting

5.4.09

Inodoro e incolor

Ontem alguém me dizia que não queria terminar a sua vida amorosa - porquê? ainda tens tanto para amar! - amarrado a uma relação insípida. Mais valia desistir do corpo e do coração de vez.

Teimei, argumentei que é importante persistir.

As razões eram demolidoras.

Acabei por concordar.

Conversas

Estive num jantar.

Falou-se de religião e economia. ritmos de trabalho. pudins de ovos.

Às vezes esqueço-me de como é bom conversar e ouvir risos espontâneos.

- Olá. - Estás bem? Tu estás sempre bem.

Pois dançavam

Tango

Um amigo prometeu-me hoje que vamos aprender tango como deve ser.

Os homens dançavam uns com os outros, sabias?

Coreia

Tenho uma prima da minha idade a quem foi diagnosticada há uns anos Coreia de Huntington.

A doença caracteriza-se existencialmente por descoordenação na marcha, na fala e alterações no olhar. Com a progressão da doença os doentes têm dificuldades na execução da vida diária, como por ex. impossibilidade de controlar o movimento, andar a pé, de deglutir os alimentos e dificuldade na linguagem.

Lembro-me bem dela em criança. Sempre linda, de longos cabelos negros. Invejava-a.

O marido separou-se dela quando lhe foi diagnosticada a doença. Alegou incapacidade para lidar com a situação. Curta esperança de vida.... True love...

Com o tempo, tornou-se cada vez mais dependente dos outros. Saía da sua casa com vista para o mar e corria pela marginal sem saber onde estava.

Agora, já não se levanta para ver o azul da foz do Tejo, nem sente a brisa da maresia. Está presa a uma cama até que o corpo desista.

Linda. De longos cabelos negros.

2.4.09

Pausa

Vou tentar acalmar o meu coração e pacificar-me com a intimidade que tornamos pública.


Uma pausa de semibreve. Chapelinho ao contrário de um pequeno círculo cheio de tempo.


Um... dois... três... quatro.

1.4.09

Cantar

O canto fez, durante muito tempo, parte integrante da minha vida. Cantava na voz mais aguda. Esta experiência faz-me estremecer perante certas obras. Oiço a voz que era a minha e como ela se conjuga com todas as outras. Hoje imaginei-me aqui.


Berliner Messe - Kyrie - Arvo Pärt


Lindo.

Sonho II

É uma rua estreita da parte antiga de uma cidade. Chove. Oiço a tua voz chamar por mim e espreito a todas as janelas. Lá dentro há uma claridade branca que me cega e, de repente, pessoas que olham para mim e me acenam para entrar. Não as conheço. Não, não é aqui. Não é aqui. A rua é feita de lama onde escorrego. Nas virilhas, uma dor que me impede de prosseguir. Páro para respirar. Acordo.