9.4.09

Foi

Entregaste-me uma pequena pasta tamanho A5. Lembras-te? Daquelas onde se guardam desenhos e se atam com fitas pretas... Adivinhei o que continha. Eram folhas e folhas, pequenos textos, poemas... tu, boca, sombra, acolhe-me... palavras de desejo, palavras de amor. De repente, mentias, mentia, mentíamos. Inventávamos trabalho, reuniões inexistentes, não cumpriamos horários, obrigações. Davas-me a mão na rua e eu desprendia-me para te proteger. Tu não tinhas medo. Arriscavas. Arriscaste tudo. E mais palavras. Beijos. Camas revoltas. Livros. Música. As fotografias. Flores deixadas por toda a parte. Beijos atrás de portas, atrás de jornais abertos, nas esquinas de museus.

Culpa. Nos teus olhos verde-mar cresceram florestas sombrias. Amo-te, disseste-me. Espera por mim. Culpa. Culpa. Sempre esta eterna culpa.

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