27.11.09

É oficial

Tem de ter cuidado, diz-me a médica. Séria. Preocupada. Conhece-me desde adolescente e sabe ler os sinais. Eu olho de viés para os comprimidos com vontade de os atirar pela janela fora, receosa dos efeitos que possam surgir.

Li na Net que sexo, vinho, tomate e vitamina B6 também ajudam à coisa. Melhor, muito melhor que estes comprimiditos azuis com duzentas mil contra-indicações.

E tudo isto com uma semana de férias? Ficava, de certeza, como nova...

22.11.09

(in)felicidade-clique

Discordando do que li hoje, escrito com uma certa ironia, valorizar o bom que se tem na vida nunca poderá trazer felicidade "automática". Clique - sou feliz.

Não significa não ter sonhos, não desejar. Significa apenas olhar em volta e VER.

Comecei a fazer isto nos últimos anos. Perceber que todos os sentimentos são necessários. Que as coisas boas e as más existirão sempre. Procurar o equilíbrio. É um esforço individual, exigente, mas que nos torna melhores para nós e para os outros.

Digo-vos da experiência o que é bem mais fácil - a infelicidade-clique. Agora só tem permissão para atacar às vezes.

21.11.09

nataliedee.com
nataliedee.com


Acendo a lareira e cubro-me com a manta... tenho sonhos de lã.

20.11.09

deserto

No último mês atravessei o deserto. Um deserto que é só meu e que, mais uma vez, me veio buscar. Fragiliza-me. Expõe-me a todas as palavras e gestos, choro e risos dos outros. Não o conto, nem explico a ninguém. O quotidiano prossegue como se nada fosse e respiro fundo de cada vez que se torna (quase) insuportável. Seria fácil argumentar com depressões, mas sei que é pior, muito pior, escondermo-nos.

Respiro fundo... bem... fundo. E caminho.

É escuro este deserto. Fere.


Ao longe, espero que a margem azul me espere.

19.11.09

Hope someone will

There's a ghost on the horizon

When I go to bed

How can I fall asleep at night

How will I rest my head






Antony and the Johnsons

pais vs filhos

Há pais que erraram a sua vocação. Entre estes há pais separados. Marcados pelo insucesso da sua relação, fazem dos filhos cavalos de batalha, fragilizando-os sem hesitar. Tornam-nos inseguros sobre o que é amar, inseguros sobre quem amar, obrigados a espartilhar e a esconder emoções. Justificam atitudes invocando amor incondicional.


Não compreendo.

Amor é altruísmo. Sempre. Acima de tudo. Eles.

12.11.09

Homens I

Houve relações em que me acusaram de ser egoísta. Tiques de filha única. Nunca concordei porque conheci pessoas com irmãos que eram verdadeiros balões de eu, eu, eu. Ser obrigado a partilhar, não é, claramente, sinónimo de altruísmo. Mas fui-me modificando, amadurecendo.


Ultimamente tenho visto um homem pressionado, perseguido e a amar... Obrigado a correr de um lado para o outro para fazer vontades, por caprichos e amuos que ele acha naturais. E a amar... Cansado.


Mesmo nos meus piores tempos nunca fui assim. Como mulher, irrita-me esta passividade. A anuência. Já conheci outros homens que vivem relações assim e nunca irei compreender. O que será que gera o amor por estas mulheres-sorvedoras?

9.11.09

Afinal...

... pensava que já tinha as mãos mais cheias.

Quem não se ama...

pois

A sua vida parece-lhe a de uma outra pessoa. Talvez seja isso. Não poder reconhecer-se por completo no que faz, diz, deseja. Uma crescente discrepância. Uma diminuta, mas perceptível, perda de nitidez nos contornos. Como se a sua verdadeira vida se tivesse despegado da vida que leva e, com o tempo, a distância entre elas fosse aumentando e a reconciliação se tornasse cada vez mais improvável. Uma pessoa não é quem quer ser, não faz o que gostava mais do que tudo fazer, não dita a vida que a leva consigo. Talvez seja isso. O que acontece desde sempre quase sempre a qualquer um. Salvo nos momentos de paixão em que vivemos a tremenda certeza de estarmos a ser quem somos. (...)

Pedro Paixão, Rosa Vermelha em Quarto Escuro

estética

o site do pedro paixão é muito bonito

e tem polaroids.

8.11.09

neste fim-de-semana apenas aqui e ali sorrisos e o prazer de conversar

de resto, a solidão imperou sem vontade o corpo para outra coisa que não fossem abraços. beijos-abraços.

começa a semana. mais uma.

vai ter que ser melhor.


olho o meu buda de sorriso sereno. Ele sabe o que quero.

4.11.09

Track 4

Conduzir à esquerda faz-me confusão... Misturam-se os sentidos, violentamos os instintos. Na paisagem verde, restos de neve anunciam o fim do inverno. Estou cansado. Paro e o ar cortante entra pela janela que desliza indolente.

Sinto os pés gelados e os ventos que cantam cortam-me ainda a pele. Lembro-me do adeus e dos teus olhos que escureciam a cada palavra.

Retomo o caminho para a cidade. É linda. A mais linda depois daquela em que nasci, a muitos quilómetros daqui. O castelo domina as ruas antigas, escuro e imponente. Os teus olhos escurecidos como este castelo sob o céu pesado.

Fugi para aqui, porque a distância apressa o esquecimento. Falar outra língua modera as emoções.

Dar-te a mão no alto destas muralhas de onde se vê o mar (lembras-te?). Sempre o quis fazer.

3.11.09

Ai, vou ser excomungada

Pois vou.

Uma letra escarlate no peito:

"I" de Incapaz.
Há uma autora de um blog que trabalha ao pé de mim. Sei-o pelos seus textos, pequenas pistas de locais conhecidos, aqui e ali um nome de rua, a vista de uma janela. Não deixa lugar para comentários aos seus textos. Acho bem. Mas gostava de lhe dizer que escreve textos que me emocionam - por vezes ficção (parece-me), outras vezes comentários a factos da actualidade, outras ainda reflexões sobre o seu quotidiano. Sempre bonitos, fluidos.

Sim, gostava de a conhecer.

E se pusesse ali em baixo um papel "procuro .......?"