Conduzir à esquerda faz-me confusão... Misturam-se os sentidos, violentamos os instintos. Na paisagem verde, restos de neve anunciam o fim do inverno. Estou cansado. Paro e o ar cortante entra pela janela que desliza indolente.
Sinto os pés gelados e os ventos que cantam cortam-me ainda a pele. Lembro-me do adeus e dos teus olhos que escureciam a cada palavra.
Retomo o caminho para a cidade. É linda. A mais linda depois daquela em que nasci, a muitos quilómetros daqui. O castelo domina as ruas antigas, escuro e imponente. Os teus olhos escurecidos como este castelo sob o céu pesado.
Fugi para aqui, porque a distância apressa o esquecimento. Falar outra língua modera as emoções.
Dar-te a mão no alto destas muralhas de onde se vê o mar (lembras-te?). Sempre o quis fazer.
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