Fiquei com os pés frios.
Anglicismo para cobardia.
31.5.10
30.5.10
27.5.10
derrotada
Chegou a altura de partir. Hoje, num minuto bastou para perceber.
Durante o dia, tanta, tanta gente me chama e o meu nome cansa-me. Resolver, fazer, escrever, decidir sempre mais e mais. Hoje, aquele homem de olhar doce que me disse "aguentas-te bem" percebeu afinal que me desfazia por dentro. Sim. Percebeu que eu iria neste mesmo dia, fechar os olhos e os ouvidos e gritar durante uma reunião. E o silêncio que se fez à minha volta. Ai!...... Fecho os olhos e os ouvidos a esta batalha. Esta batalha onde soçobro porque já não sei onde repousar. O meu porto de abrigo é mais uma batalha que travo, cheia de solidão e desencontros, mais e mais. Ai....! E grito aqui, sozinha. A vizinha bate à porta de mansinho.
Não tenho onde repousar, percebe?
É a viagem que me espera. Parto. Quem sabe noutra vida.
Durante o dia, tanta, tanta gente me chama e o meu nome cansa-me. Resolver, fazer, escrever, decidir sempre mais e mais. Hoje, aquele homem de olhar doce que me disse "aguentas-te bem" percebeu afinal que me desfazia por dentro. Sim. Percebeu que eu iria neste mesmo dia, fechar os olhos e os ouvidos e gritar durante uma reunião. E o silêncio que se fez à minha volta. Ai!...... Fecho os olhos e os ouvidos a esta batalha. Esta batalha onde soçobro porque já não sei onde repousar. O meu porto de abrigo é mais uma batalha que travo, cheia de solidão e desencontros, mais e mais. Ai....! E grito aqui, sozinha. A vizinha bate à porta de mansinho.
Não tenho onde repousar, percebe?
É a viagem que me espera. Parto. Quem sabe noutra vida.
23.5.10
"há momentos em que precisamos de estar sozinhos"
Há tantos, tantos momentos desses. Compreendo-o melhor do que algum dia saberás. Ou talvez te conte, um dia.
A verdadeira ausência é um ponto sem retorno.
A verdadeira ausência é um ponto sem retorno.
22.5.10
"não quero viver com ninguém"
Os meus pais fizeram anos de casados. O meu pai não se lembrou do dia, nem a minha mãe quis que o lembrasse. Seria surpreendente que ele identificasse esta data, agora que a memória já lhe foge tantas vezes - "estou baralhado", diz repetidamente, num olhar perdido que nunca lhe vi antes. A minha mãe, com o corpo carregado de tristeza, lembra os quase 50 anos de conflitos e indiferença. Sobretudo a indiferença. A falta de amor. A dependência recente do meu pai nada lhe diz porque nasceu da fragilidade, de saber que sem ela se irá perder, sempre, ao virar de cada esquina. Choro sozinha em casa. Também lembro esta data que não conheci, mas da qual nasceu "a melhor coisa da minha vida" (mãe, abraça-me). Ela sempre sofreu, sei-o bem demais.
Não conheço muitos casamentos felizes. Aliás, nenhum. Fui vendo neles aquilo que ia excluindo para mim - o ciúme, a obsessão, a mentira, a traição, a distância física e emocional. Criei o meu ideal de relação por aquilo que não queria. Seria feita de companheirismo, de verdade, de cumplicidade discreta. Um amor que se sabe. E procurei-a. Fui sempre procurando, a tentar ser, cada vez mais, essa companheira, a cúmplice, a amada, a amante.
Não sei bem se esta viagem pela vida me destinou esse encontro. Mas no dia em que os meus pais fizeram anos de casados, chorei sozinha por tudo o que não consegui.
Ainda.
Não conheço muitos casamentos felizes. Aliás, nenhum. Fui vendo neles aquilo que ia excluindo para mim - o ciúme, a obsessão, a mentira, a traição, a distância física e emocional. Criei o meu ideal de relação por aquilo que não queria. Seria feita de companheirismo, de verdade, de cumplicidade discreta. Um amor que se sabe. E procurei-a. Fui sempre procurando, a tentar ser, cada vez mais, essa companheira, a cúmplice, a amada, a amante.
Não sei bem se esta viagem pela vida me destinou esse encontro. Mas no dia em que os meus pais fizeram anos de casados, chorei sozinha por tudo o que não consegui.
Ainda.
19.5.10
sábado & domingo
Agora sei que a minha vida, para ser equilibrada, deveria ser feita de fins-de-semana.
Durante a semana, os dias tornam-se às vezes incompreensíveis. Estranhamente incompreensíveis.
Há qualquer coisa que me escapa. Ou talvez não. Talvez haja apenas qualquer coisa que eu quero que me escape.
Até mesmo o pouco tempo de ócio custa.
Durante a semana, os dias tornam-se às vezes incompreensíveis. Estranhamente incompreensíveis.
Há qualquer coisa que me escapa. Ou talvez não. Talvez haja apenas qualquer coisa que eu quero que me escape.
Até mesmo o pouco tempo de ócio custa.
18.5.10
Dia sim
Hoje senti-me bem. Saí de casa a pensar que esta rotina, este entrar no fluxo dos que vão para Lisboa é bom. Poder entrar nele. Olhar o mar verde-azul-esmeralda a denunciar o calor do ar.Poder protestar com o condutor vagaroso na rua das janelas verdes. Poder andar devagar ou depressa. Poder falar com os outros. Poder rir. Poder desesperar, que sem o desepero o riso seria banal.
Hoje senti-me bem assim. A viver.
Hoje senti-me bem assim. A viver.
16.5.10
Eu não queria nascer. A minha mãe contou-me já muitas vezes como foi difícil para mim entrar neste mundo. Fi-la sofrer muito nesse dia quente de Agosto. O mais quente do ano, ao que parece.
Este medo de nascer - gosto de pensar que foi assim desde o início - tornou-se depressa medo de viver. Sempre fui receosa dos outros, da velha que me puxava o lenço da cabeça com bonecos da Disney numa retrosaria do Rossio (e a minha mãe que não me defendia!) e que, por causa dela, cresciam as dores de barriga logo à saída da estação de comboios. Tinha 4, 5 anos.
O medo de não conseguir sobreviver, o medo não ser suficientemente boa. A mania de perfeição de que me acusam e que é apenas, afinal, o medo de falhar até nas coisas mais simples.
Em adulta percebi este erro, se calhar tarde demais para o corrigir. Mas combati-o tanto que me tornei, pelo menos aparentemente, mais forte e decidida que muitos dos que me rodeiam.
Mas sei também que o lenço da Disney está sempre à mão para ser puxado. E aí o medo volta. As dores de barriga enquanto caminho.
Este medo de nascer - gosto de pensar que foi assim desde o início - tornou-se depressa medo de viver. Sempre fui receosa dos outros, da velha que me puxava o lenço da cabeça com bonecos da Disney numa retrosaria do Rossio (e a minha mãe que não me defendia!) e que, por causa dela, cresciam as dores de barriga logo à saída da estação de comboios. Tinha 4, 5 anos.
O medo de não conseguir sobreviver, o medo não ser suficientemente boa. A mania de perfeição de que me acusam e que é apenas, afinal, o medo de falhar até nas coisas mais simples.
Em adulta percebi este erro, se calhar tarde demais para o corrigir. Mas combati-o tanto que me tornei, pelo menos aparentemente, mais forte e decidida que muitos dos que me rodeiam.
Mas sei também que o lenço da Disney está sempre à mão para ser puxado. E aí o medo volta. As dores de barriga enquanto caminho.
Desejo na Feira do Livro
Gostava, mas gostava mesmo, que a minha obrigação na vida fosse agora, tão somente, sentar-me a uma mesa pequenina e pintar desenhos com lápis de cor.
9.5.10
Gostava que fosse assim [um pouco como um cantar antigo]
Não me arrependo das horas que perdi a esperar-te quando ainda havia a esperança /
A esperança que havia ainda quando, a esperar-te, perdi horas de que não me arrependo.
José Luís Peixoto
A esperança que havia ainda quando, a esperar-te, perdi horas de que não me arrependo.
José Luís Peixoto
2.5.10
dever & culpa
Todos os que me conhecem sabem que estes são os meus maiores castradores. Primeiro o dever, e quando acho que não estou a cumpri-lo, a culpa.
Vem, vamos divertir-nos como se não houvesse amanhã. Ao menos, se sentir culpa, terei (talvez) razão para isso.
Vem, vamos divertir-nos como se não houvesse amanhã. Ao menos, se sentir culpa, terei (talvez) razão para isso.
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