13.12.11

JLP

Fala de forma simples. Em algumas sílabas oiço o sostenuto das searas.





E há, antes de tudo, a escrita.

4.12.11

Chegou

Acho que está para breve. A partida adivinhada.

Levo comigo os abraços, as noites, alguns risos, uma quanta angústia, muitos silêncios. Levo comigo o dar e o receber. Preciso para outros. Levo comigo também a esperança quebrada, as mãos (sempre) nos bolsos e este sussuro de enganos, que quero fazer de conta.


Vou.

Sozinha.


Sozinha, mas vou. 


Começo a preparar o voo prometido para chegar até quem me quer. Assim mesmo. Como sou.


13.11.11

ouvi-me, ouvi-te








Tombei no chão e, por um momento, a consciência foi-se e eu pude ser ninguém, como as coisas deviam ser sempre nestas alturas.







Valter Hugo Mãe, "A máquina de fazer espanhóis"

21.10.11

Outono


nataliedee.com (adapted)

13.10.11

Há muito que sei que não te consigo fazer feliz. Há muito, seguramente, que sei que não o sou.

Às vezes, sabes, bastar-me-ia o teu olhar a meu favor, já que não ouço as palavras que me foram emudecendo...

Acho que deves seguir a tua viagem. Eu, a minha.

Cortarei de vez com o teu género, a esperança da mão dada, as noites. Não quero mais. Elas virão e uma saberá voar melhor até ti e saberá, talvez, melhor que eu, superar o cansaço que vem com o tempo e a todos nos acinzenta.



Faltarão apenas palavras como estas... 

1.10.11

Dia Mundial da Música.

trolley pequeno

  • calças de ganga
  • 3 t-shirts
  • calções
  • vestido  leve
  • roupa interior
  • flip-flops
  • sabrinas
  • corta-vento
  • zippy
  • livro
Até quando este verão?

Voltar a ser

Quero voltar a ser aquela pessoa que ri com prazer nas fotos e traz aos outros claridade e bom humor. Para ti, para quem eu mais queria ser assim, o quotidiano transforma-me numa pessoa pesada, e a alma gradualmente estagna num corpo sem vontade.

Não quero ser assim.

Não quero.



Não.




Mas os outros tornam-se (de novo) subitamente demasiado, retratados no poeta que me fez e no pintor que me assombrou.

Por isso, só me apetece o silêncio.








E a palavra "amor", onde ela estiver.


30.9.11

Percebes? Não queria.

Absurdo

Como se já não bastassem todos os anónimos, pseudónimos, sites, blogues, chats e facebooks para conversas, flirts, segredinhos e relações paralelas -  ei-lo.

Que gigantesco bloody hell!

29.9.11

Antes

Escreveu-me dezassete instantes.  A sedução no quotidiano e tanto, tanto mais. Assim, de súbito. Hoje apeteceu-me reabrir a capa desses instantes e aqui escrevo sobre eles pela primeira e última vez. Guardo-os, de novo, só para mim.

Instantes 16
... anotas com cuidado e minúcia... burocráticas informações... (penso que se preparam reuniões de avaliação! sic!...) de que só tu consegues extrair poesia...

... mas ao longe... na espessura dos documentos... subitamente, é a tua mão que importa! ... repousa... é a direita... e o anel espesso... denso... ilumina este início de tarde tão cinzento... amo-te...

Blogues







Basta.
Entro na sala. O meu bom dia raramente tem eco na voz de alguém. Desisti. Entro de boca fechada e sento-me enquanto uns enfiam a cabeça nos manuais, outros comem fruta e, ainda outros, tiram fotocópias. Caladinha.

Lembro-me de esta sala ser um espaço fresco pela manhã. Era um espaço, também, de (quase) amigos que chegavam para mais um dia. De conversas partilhadas que tornavam o (re)começo mais fácil.

Dantes.

28.9.11






gostava, muito, mas muito... que a verdade fosse sempre nossa.






palavras

Já sabes, há palavras que quase me mata(ra)m. Li-as e reli-as tantas vezes que estão marcadas no meu coração, por isso talvez ainda as saiba dizer a partir dele. E voltam sempre que outras palavras as chamam, como súbitas armadilhas. E sabes, acho que sabes, que só o amor e a sua verdade alimenta a força que nos faz esquecer que nem tudo é nosso, mas que nos pertence o lado maior.

friendship is a million little things





gostava de ter a L hoje ao pé de mim  - sabes aquele provérbio chinês?

gostava que o B me levasse a dançar, como quando sabíamos ser um só rodopio.



gostava, oh se gostava

16.9.11

António Lobo Antunes



[…] e fico aqui a ler, na mesma mesa em que rabisco as páginas, que silêncio nas coisas, que vazio, não é meia-noite sequer, rodeio-me de pessoas que não existem, rodeio-me de vozes, sinto-me cheio de palavras que não amadureceram ainda, não palavras, larvas de palavras, imagens que surgem e se desvanecem, desfocadas, fugidias, peço a mim mesmo - Uma ajudinha, amigo […]











Há palavras...

... que passaram a fazer parte do meu pequeno inferno privado. E ei-las que, de vez em quando, renascem.




Fuck.
O meu blogue achou que já chega de escrita cretina.

10.9.11

Partidas

Neste ano, duas partidas.


A que me apanhou de surpresa, num vazio enorme.


Esta, de quem lentamente desce uma colina e, a cada passo, esquece o que ficou para trás e perde a noção do horizonte. Sempre mais um pouco. Mais um pouco, até ser muito.




Até à escuridão maior.

15.8.11

Dona da verdade

- Esta é a X.

Não sei se ela viu a relação contida nesta apresentação, mas perscrutou-me num olhar quase de serpente, olhos muito redondos e profundos como a noite. Dei um ligeiro passo atrás, para uma distância que me protegesse. Deu-me vontade de argumentar que era uma boa pessoa, com potenciais vantagens para o seu amigo. Fechei-me face a esta hostilidade não-verbal. Mais tarde, novo encontro e um voltar de costas intencional - simpatia zero.

Algum tempo depois percebi que ela se acha (quase) sempre a dona da verdade, que é rodeada por mentecaptos na sua profissão, que sabe, sabe, sabe comentar tudo e todos. Diz-se frontal, este adjectivo que muita gente, simplesmente mal-educada, advoga para si com orgulho.

Talvez a vida lhe venha a ensinar alguma modéstia.

31.7.11

(perhaps) too quiet





O mais recente confronto com a sua fragilidade mudou-me. Sei-o. Regressei com o sol e o sal para te dar, mas por dentro vinha de alma quebrada. Sentia o frio debaixo da pele quente, reconheci a solidão nesta impotência que bloqueia. Mas vim com a vontade. Regressei a sonhar com a nova partida que me levasse de novo para um mar tranquilamente partilhado. Partilhado.

Trago o sol e o sal nas mãos (ainda) para te dar. Mas este medo adensa-se a cada momento em que me sinto só nas coisas mais simples.

Ontem.

Hoje.

Esta agonia que pode ser o fim.

13.6.11

fernando I e II

Hoje, desassossegada, leio-o. Preciso de algo que me afaste de um quotidiano arrasante, de uma máquina-tempo que me esmaga. Talvez não seja a melhor opção, mas lembro que o nome deste blogue saiu de um poema seu em palavras que marcam a alma.

Hoje, a 13 de Junho.


Afinal, o dia de dois Fernandos.

desta vez não



3.6.11

para um nocturno mar partem navios
....
assombrados por míriades de luzes
....
vão

o seu rouco grito é de quem fica
no cais divido e mutilado
e destruído entre poemas pasma




cais de sophia de mello breyner andresen

30.5.11

amanhã por esta hora...

... estarei feliz?



... estarei feliz.

26.5.11

Do 80 ao 8...

... em 24 horas.

E porquê?

Sei a resposta mas tenho medo de a dar. Fica para a próxima.


E choveu, porque nem tudo pode ser mau.

25.5.11

30 e tal

Este calor vem, tenho a certeza, de lugares nos trópicos. Enganou-se na latitude e longitude e veio parar aqui. Chegou sozinho, sem as praias, o ócio, a música que agita o corpo. Fica parado, pairado no ar amolecido. Inesperado, impacienta-nos. Sem a água de mares turquesa, só a chuva pode aliviar esta rotina feita para outros climas.


Talvez amanhã.

19.5.11

De noite, de novo a casa.

Só.

De manhã, a distância.

Só.



Este sino que não pára de tocar na minha cabeça.

18.5.11

a tranquilidade

16.5.11



Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.


Eugénio de Andrade

cinco sentidos

12.5.11

Sei

Por agora, sei do amor apenas esta vontade de me superar, ainda que tudo pareça estar contra e o peso ameace derrota.

Por agora, sei do amor apenas esta vontade. Uma porta que abro na casa-sonho.
a tranquilidade


6.5.11

briefer than a rose

Chegar de manhã e sentir a proximidade. Um sorriso, às vezes.

Saber da cumplicidade que, de novo, parece ser mais de outros que minha.

Um sítio escuro que, de novo, enegrece. O rosto que se (me) fecha.

A alegria dum quotidiano

que durou

quase

apenas

um



respirar.

25.4.11

...poremos perfume para que o tempo se demore ao passar por nós...

Sei de quem não suporte domingos. Não suporte o silêncio, o vazio, a solidão dos domingos. Gostava de pensar como essa gente activa, sequiosa de acontecimentos, mas não poderia estar mais longe dela. Tenho pelos domingos o mesmo afecto de uma criança feliz por não ter escola. Não cresci nem um bocadinho.

Em tempos, o domingo era o dia da missa. Do almoço e do passeio de família. Da roupa boa que se comprava e guardava para usar, especificamente naquele dia – a roupa de domingo. Hoje, é o dia do pijama, do roupão e das pantufas; do chinelo e da roupa de ontem. E essa revolução indumentária diz quase tudo o que há a saber sobre a forma como mudámos colectivamente de vida.

Sacrificámos tudo ao que se passa da porta de casa para fora. A roupa boa, o tempo, a energia, são empenhados em semanas de trabalho e compromissos de agenda; para nós, para nós mesmos, a nossa casa, o nosso tempo, as nossas pessoas, a nossa solidão, deixámos os restos.

Morto Deus e moribunda a família, ficámos com o domingo livre – um drama aterrador para quem, sem horários de trabalho e entradas de agenda, perde o sentido de existir. Sem ruído, sem a ilusão de que se caminha para qualquer lado, o domingo descobre cruelmente a nossa falta de planos para a vida.

O paradoxo é evidente. A nossa liberdade deveria correr livremente pelo campo aberto dos domingos. Aí deveria florescer tudo quanto queremos ver, ouvir, construir, as conversas que queremos ter, com quem queremos ter, os sítios, as canções, os rituais, os reencontros, as descobertas, todos os empreendimentos pessoais, o simples perder de tempo, se é tempo que queremos perder, languidamente estendidos no sofá, no mar ou esplanadando por aí. Se isso não acontece, não há nenhum problema com os domingos; há um problema connosco.

Um dia, haveremos de ir trabalhar com a roupa de ontem e vestir-nos de gala para brincar com as crianças e os gatos. Faremos zapping de smoking. Poremos perfume para que o tempo se demore ao passar por nós.

publicado por Alexandre Borges, aqui





Domingos

"Sei de quem não suporte domingos. Não suporte o silêncio, o vazio, a solidão dos domingos. Gostava de pensar como essa gente activa, sequiosa de acontecimentos, mas não poderia estar mais longe dela. Tenho pelos domingos o mesmo afecto de uma criança feliz por não ter escola. Não cresci nem um bocadinho.

Em tempos, o domingo era o dia da missa. Do almoço e do passeio de família. Da roupa boa que se comprava e guardava para usar, especificamente naquele dia – a roupa de domingo. Hoje, é o dia do pijama, do roupão e das pantufas; do chinelo e da roupa de ontem. E essa revolução indumentária diz quase tudo o que há a saber sobre a forma como mudámos colectivamente de vida.

Sacrificámos tudo ao que se passa da porta de casa para fora. A roupa boa, o tempo, a energia, são empenhados em semanas de trabalho e compromissos de agenda; para nós, para nós mesmos, a nossa casa, o nosso tempo, as nossas pessoas, a nossa solidão, deixámos os restos.

Morto Deus e moribunda a família, ficámos com o domingo livre – um drama aterrador para quem, sem horários de trabalho e entradas de agenda, perde o sentido de existir. Sem ruído, sem a ilusão de que se caminha para qualquer lado, o domingo descobre cruelmente a nossa falta de planos para a vida.

O paradoxo é evidente. A nossa liberdade deveria correr livremente pelo campo aberto dos domingos. Aí deveria florescer tudo quanto queremos ver, ouvir, construir, as conversas que queremos ter, com quem queremos ter, os sítios, as canções, os rituais, os reencontros, as descobertas, todos os empreendimentos pessoais, o simples perder de tempo, se é tempo que queremos perder, languidamente estendidos no sofá, no mar ou esplanadando por aí. Se isso não acontece, não há nenhum problema com os domingos; há um problema connosco.

Um dia, haveremos de ir trabalhar com a roupa de ontem e vestir-nos de gala para brincar com as crianças e os gatos. Faremos zapping de smoking. Poremos perfume para que o tempo se demore ao passar por nós."




publicado por Alexandre Borges, aqui

24.4.11

A minha mãe embalava-me com canções sussurradas que me aconchegavam. Cantava, cantava, até eu adormecer. Sempre quis fazer o mesmo - poder embalar-te com uma canção sussurrada e ver-te dormir.
A sensação de nunca se ter sido amado.
Este frio.








Sorrio para quem não pode saber do que choro.

4.4.11

more often than not




http://icanread.tumblr.com/

28.3.11

na raiva desta insónia com que espero a manhã... leio

ROTINA

Ao abrir a janela do quarto para outras
janelas de outros quartos, ao veres a rua que desemboca
noutras ruas, e as pessoas que se cruzam, no início da
manhã, sem pensarem com quem se cruzam
em cada início de manhã, talvez te apeteça
voltar para dentro, onde ninguém te espera. Mas
o dia nasceu - um outro dia, e a contagem do tempo
começou a partir do momento em que
abriste a janela, e em que todas as janelas
da rua se abriram, como a tua. Então, resta-te
saber com quem te irás cruzar, esta manhã: se
o rosto que vais fixar, por uns instantes, retribuirá
o teu gesto; ou se alguém, no primeiro café que
tomares, te devolverá a mesma inquietação
que saboreias, enquanto esperas que o líquido
arrefeça.


Nuno Júdice

26.3.11

E na manhã que torna tudo mais claro.... amar parece ser...

dar-me
ser sempre verdadeira
apoiar sempre
contrariar quando é importante
dar o melhor que se é capaz, o que nem sempre pode ser o máximo melhor.



E compreender isso. Sempre.
horasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdashorasabsurdas. absurdas. merda de vida.talvez eu simplesmente (já) não saiba ser.

24.3.11

Que parvo, este filhote


...e conto-lhe sobre as minhas (talvez demasiadas?) horas absurdas.

Mãe

Hoje deitei-me na cama ao lado da minha mãe para uma pausa. Falámos do cansaço que nos preenche e de sapatos. Da escuridão da doença e de cinema. Falámos. Falou... Fechei os olhos... Calei para sentir que a tua voz tem o sol, o vento e a chuva. Todas as direcções confluem em ti, mãe. Fecho os olhos e oiço esta voz como na primeira canção de embalar. Volto subitamente a essa origem que me segreda serenidade. Abro os olhos e rio. Não há momentos iguais, em que posso estar assim, sem nenhuma defesa, só a sentir.


Esta voz que é (a) minha.

23.3.11

E de repente... tantas mortes.

Dizem que é porque chega a Primavera.

4.3.11

... ficas a saber...

... que compreendo a voz por detrás dos silêncios.
... que sei a dificuldade do caminho.
... que do meu cansaço farei uma cama-ninho.
... que fecho os olhos e respiro as noites.

que...
... vejo as tuas mãos, as minhas
... vejo a verdade
... vejo o sonho-realidade
... vejo-te-me




no dia que nasce sem nada que o (des)espere.
Vou-me mascarar de gajo-que-vai-passear-no-fim-de-semana e que se tá marimbando para o Carnaval. Deixo aqui o meu manifesto anual contra o desvirtuar do carnaval português, as porras das escolas de Samba - Percebam de uma vez por todas, por favor, que estamos ainda no Inverno, chove, faz frio, no Rio é Verão, tá um calor que não se pode, lá não chove, só há incendios, aqui tá frio tá frio tá frio não têm a mesma quantidade de mulatas por metro quadrado que o Brasil tem, não temos orçamento, não temos jeito, as miudas são todas branquinhas e e tímidas, deixem o samba para quem sabe porra meter brancos a dançar é uma asneira brutal, elas nascem já a saber rebolar - e os desfiles totós. Fazemos sempre figura de tansos. Não é por nada que o melhor que temos são os caretos de Podence. Isso sim, figuras que aterrorizam a população, que andam a tirar o sono a todos, que metem medo às crianças, que têm brincadeiras parvas, isso sim, ah o terror.

perdidopelacidade.blogspot.com

viagem

viajo dentro desta bolha de oxigénio

onde a minha vida faz outro sentido










onde os medos são bem-vindos

23.2.11

Parabéns

Amanhã

o

meu

avô

faria

anos.












87.

A propósito de pessoas que sonham com cavalos do apocalipse e gostavam que tudo isso fosse apenas um sonho

Desabafo

Estou farta de pessoas!

Farta de discussõeszinhas a propósito de temas de trampa, farta de gente que se arma em palhaço, farta de gente que não sabe respeitar, que não sabe (não quer) ler o outro.


Quem não está bem, muda-se, diz a voz popular.






Um destes dias faço as malas, então.

20.2.11

Plano


Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos, que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro.

Nuno Júdice, “Poesia Reunida”




Aqui

14.2.11

V.

Hoje comi o meu primeiro morango do ano. vermelho como um coração.


soube-me a brisas de fim de tarde. a primavera.








levo-te um. bem escondido.


entre sorrisos.

10.2.11

Avô

um livro de recortes de revistas em cartolinas coloridas quando eu mal sabia andar.

o móvel do meu quarto. a escrivaninha.

Um dia destes tens uma mão cheia - e eu a abrir a mão tão pequenina e a pensar - cinco anos!

o meu primeiro hotel de cinco estrelas. a minha primeira conta no banco.

muitos, muitos, tantos, estes quarenta e tal natais

chocolates regina de sabores. sandes de chouriço

as ruas da cidade na palma da mão e as histórias de ser lisboeta

o meu primeiro filme no cinema. o meu primeiro voo.







Tinha 38 anos quando eu nasci.

Chorava ao colo do meu pai quando ele se ia embora











hoje fechei a sua urna






qualquer dia mato-me e mando dizer para a terra que já morri




Ouviste, Lisboa?

20.1.11

Do outro lado do telefone a voz que se desespera.





E eu mergulho na escuridão da minha incapacidade. Dou um grito do fundo de mim que ninguém ouve.

16.1.11

Às vezes, a astrologia sabe-a toda...

Everyday demands will take up much of your time and energy. You do not always have to give in, nor should you feel guilty if you sometimes say no. Such feelings of guilt have their origins in childhood, when you were dependent on your parents' love and attention. Your fear of being abandoned if you were not able to fulfil your parents' wishes and expectations was the natural response.

Under this influence these basic fears of being abandoned may resurface. Your boss may ask you to do things which you consider to be beyond your capabilities. If this occurs you should not hesitate to express your feelings. You are unlikely to lose your job, but if this happens something new and more appropriate will turn up. It will also greatly ease your situation if you can stop fighting to hold onto things which have become one burden too many, causing much of your inner turmoil. The ability to let go of things which have brought little benefit despite costing a lot of time and energy can create the space for new experiences.

De Ruy Belo

No teu amor por mim há uma rua que começa

Nem árvores nem casas existiam

antes que tu tivesses palavras

e todo eu fosse um coração para elas


(...)

6.1.11

Há quem diga que um amigo deve dizer-nos sempre a verdade, por muito que nos / lhe custe.
Eu cá acho que um verdadeiro amigo deve às vezes ver bem dentro de nós e dar-nos razão, mesmo que não a tenhamos.


Um bom amigo mente, de vez em quando.

3.1.11

Pausa

E a serra acompanha-nos, acolhe-nos em cada curva. Forte. Majestosa. As núvens rodeiam os cumes dando-lhes ares de filme fantástico; árvores raramente vistas surgem à medida que subimos, em tons de inverno. Os rochedos ameaçam das alturas ou abraçam a estrada e a água sempre, sempre a correr, timidamente em pequenos fios ou na violência de cascatas. Transparente.

É aqui tão perto, já ali no fim daquela viagem que se faz ao som da(s) música(s) e da conversa. No silêncio, às vezes, que é preciso absorver este céu em cinemascope.

As pessoas são alegres, fortes, serranas. Gostam de falar connosco e nós com elas, Onde é...? É já ali..., , há os sabores intensos do que é criado por nós, o calor da lenha e o vermelho das faces...

Voltamos ao essencial e, por momentos, somos também pastores, agricultores e guerreiros desta terra.