20.9.09

Palavras

Fazemos coisas com as palavras e as palavras fazem coisas connosco - lembra-me hoje Foucault.

A L. diz que as palavras podem ser uma treta. Quem as escreve pensa A, quem as lê pensa Z. Há quem seja hábil com as palavras, as use com primor, sem no fundo, dizer nada do que vai mesmo no fundo da alma. Quantas vezes julgamos da profundidade das pessoas pelo que escrevem e afinal .... Há também quem use muitas palavras, incompreensíveis na sua sintaxe elaborada, só pelo prazer da verborreia.

Mas as palavras podem mesmo fazer tantas coisas connosco... maravilhosas ou terríveis. E estão sempre lá, as palavras, - preto no branco, branco no preto - prontas a fazer-nos rir, chorar, amar e desesperar.



Já disse aqui que acredito que houve um livro que me salvou há muitos anos. E a propósito das palavras, a vitória do simples, nesse livro:

Hoje colhi todas as rosas dos jardins e cheguei ao pé de ti de mãos vazias.

Poema para o meu amor doente, Eugénio de Andrade

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