Durmo e acordo com a tranquilidade de um início de férias. Neste quarto-prazer, sons diferentes vão povoando as noites e as manhãs -o bebé que chora, o relógio de sala que dá horas dolentes, o casal que se ama com solavancos ritmados, o homem atraiçoado que ouve a mesma canção obsessivamente.
Ainda não conhecia os pássaros. Estremunhada, acordo com um chilrear alegre e desenfreado de dezenas de pássaros que enchem as árvores vizinhas. Fecho os olhos - por minutos, esta selva de cimento é um bosque, a margem de um rio, um pomar.
E este quarto é uma sombra fresca, um barco a remos, o cheiro das maçãs.
Gosto de sombras fescas. gosto de barcos a remos. gosto do cheiro de maçãs. E de pássaros sorridentes. É tão bonita a ideia da selva de pedra ser um bosque. Muito mesmo.
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